Amantes cuidam, protegem. Interessam-se pelo bem estar da pessoa amada e por tudo que lhe diga respeito ou interesse. São voluntariosos e têm prazer em servir. Se vêem o outro feliz, ficam felizes também. Se o vêem sofrer, sofrem. Amantes não medem esforços para satisfazer as necessidades daqueles a quem querem bem.

Jesus perguntou a Pedro: “Tu me amas?”. Já havia lidado com as imperfeições de Pedro. Sabia de sua impulsividade, sua raiva, sua soberba. Já havia profetizado sua negação. Não tinha qualquer fantasia a seu respeito e tampouco o idealizava. Não queria saber se jamais erraria de novo ou se poderia corresponder às expectativas. Só perguntou se o amava.

Pedro respondeu “sim”. Lembrou que o Mestre sabia de todas as coisas e que, por isso, sabia que o amava. Este conhecimento só poderia mesmo ser um ato da onisciência: não havia nas ações recentes do velho pescador qualquer evidência convincente dessa verdade. Não o amava porque era capaz de provar, mas porque podia ser visto por dentro, pelo próprio Jesus.

“Pastoreia as minhas ovelhas” – Jesus ordenou a Pedro. Amantes cuidam. Pedro, na condição de amante, com suas imperfeições e dificuldades, estava convidado ao único posto que um amante pode ocupar, ainda que seja limitado: o lugar de um pastor. Porque pastores não são aqueles que apenas possuem título e cargo. Muito menos aqueles cujo interesse consiste em provarem a si mesmos. Pastores são amantes, interessados no bem do amado. O bem é o rebanho.

Não é às ovelhas que amam. Amam Àquele que as ama infinitamente. Amam-nas por Sua causa. Consideram o preço que pagou por elas e não podem negligenciar Seus interesses. Sabem o quanto Lhe são importantes. Por amor, pastoreiam-nas. Não por qualquer outra razão. Se falham, ao Seu perdão recorrem com a confiança dos amantes. Se têm sucesso, à sua graça atribuem todo o bem fazer. São amantes, nada mais.

O amor a Cristo é a força motivadora dos crentes para o pastoreio mútuo. Envolve serviço, dedicação e, às vezes, até recursos. Não é fácil. Fácil é encontrar quem queira ser pastoreado, socorrido, atendido em suas necessidades. Para desejar que me pastoreiem, basta amor próprio; para desejar pastorear alguém, é preciso amor a Cristo acima de todas as coisas.

“Cristãos, vós me amais?” – pergunta, hoje, o mesmo Jesus. “Pastoreai minhas ovelhas”. O Senhor está à procura de amantes, homens e mulheres transformados, crentes cheios do Espírito de Amor; pessoas interessadas em servir ao Deus de suas vidas no cuidado daqueles que Lhe são caros.

Mas quem cuidará dos pastores? Quem lhes atenderá quando estiverem cansados ou desanimados? O Amado os pastoreará. É o supremo Pastor. Cuidará de suas necessidades porque é o Amado e o Amante maior. Ou esquecemos de que O amamos porque nos amou primeiro? Sabe o que precisamos e suprirá nossos corações. Na maioria das vezes, enviará outros amantes, pessoas comuns e dedicadas, ombreadas conosco nesse ministério de cuidar. Daremos graças por suas vidas. Descobriremos quão importante é continuar.

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