Salmo 12

Socorro, Senhor! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens. Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido. Corte o Senhor todos os lábios bajuladores, a língua que fala soberbamente, pois dizem: Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós? Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, eu me levantarei agora, diz o Senhor; e porei a salvo a quem por isso suspira. As palavras do Senhor são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes. Sim, Senhor, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre. Por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada.

Nossos dias são marcados por uma forte crise de valores. A ética e a moral, fundamentadas no respeito e no amor ao próximo, deram lugar ao hedonismo (ética do prazer: vale o que me proporciona maior satisfação) e ao utilitarismo (ética do útil: vale o que me serve para alcançar objetivos). Essa crise gera uma outra, tão grave quanto a primeira: a crise de referenciais. Seu resultado? Desapareceram nossos modelos.

O ser humano precisa de modelos. As crianças aprendem suas primeiras práticas imitando os adultos – principalmente seus pais. O mesmo ocorre com os adolescentes, que optam por imitar grandes astros e ídolos da música ou do esporte, com os jovens, que seguem os passos daqueles que já são o que gostariam de um dia ser, e com os adultos, que procuram viver como aqueles a quem admiram. Os referenciais são importantes na construção do caráter.

Na vida de fé não é diferente. Aqui também precisamos de modelos e referenciais (não é por acaso que a Bíblia nos oferece vários modelos de fé e compromisso com Deus para que sigamos seus passos). A dificuldade é que esses referenciais parecem estar desaparecendo. Até mesmo lideranças cristãs têm sucumbido diante das propostas hedonistas e utilitaristas. Muitos crentes estão desamparados e o testemunho da igreja diante da sociedade não é dos melhores. Sobra carisma e falta caráter na igreja evangélica contemporânea.

O salmo 12 é resultado de uma grave crise de referenciais. Nas palavras do salmista, desapareceram os fiéis, já não havia homens piedosos, todos falavam com falsidade, lábios bajuladores e coração fingido. Era uma geração perversa, onde a vileza era exaltada entre os filhos dos homens. As pessoas se esqueceram de Deus; já não eram exemplos de fé.

Como devemos nos comportar diante deste quadro? O que fazer quando os referenciais tornam-se escassos ou desaparecem?

O salmista nos ensina, primeiro, que devemos deixar para Deus o desmascaramento de toda falsidade e pecado (corte o Senhor todos os lábios bajuladores…). Deus conhece os corações. Sabe quem é quem e julga retamente. A nós, cabe orar. Por nós e por nossos líderes. Que Deus exalte e abata quem quiser.

A segunda lição nos incentiva a manter um caráter aprovado mesmo em tempos de crise de valores (porei a salvo a quem por isso suspira…). A prática equivocada dos outros não é desculpa para os nossos deslizes e iniqüidades. Devemos confiar em Deus e nos santificar pela sua palavra (depurada sete vezes…).

Em terceiro lugar, aprendemos que devemos confiar no cuidado do Deus que nos livra dos perversos e dos falsos modelos (desta geração nos livrarás para sempre…). Deus cuida dos seus fiéis. Não permitirá que sejam destruídos pelos que há muito se desviaram. Ele é Fiel.

Em tempos de crise de referenciais somos chamados a olhar para Jesus Cristo. Ele continua modelo absoluto de vida e relacionamento com Deus. Mas não é apenas uma referência positiva; é também nosso refúgio quando fraquejamos ou falhamos. Seu próprio Espírito nos ajuda a imitar seu exemplo e a prosseguir em seus passos.

 

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