Relacionamentos não são fáceis. São necessários, abençoadores e, normalmente, desejáveis, mas difíceis de construir e manter sobre bases sólidas. Raiva, rancor, inveja e desilusão são sentimentos que rondam aqueles que se entregam a um relacionamento com outras pessoas. Além destes, há a frustração e a decepção, sempre possíveis quando as coisas não saem como um ou outro gostaria. Jesus ensinou o segredo para a superação de ambos.

Jesus falou sobre a frustração em seu discurso de envio dos discípulos, os quais deveriam pregar o evangelho nas cidades de Israel: “Quando entrardes nalguma casa, saudai-a. Se a casa for digna, descerá sobre ela a vossa paz. Se não for digna, tornará para vós. E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade” (Mateus 10:12-15).

A frustração acompanha aquele cuja missão não é aceita por aqueles a quem foi enviado. Pensa que o problema é sua incapacidade de cumprir bem a tarefa que lhe foi designada. Acaba desanimando. Duvida de suas habilidades e rebaixa sua auto-estima. Frustra-se com os resultados, obtidos ou não, porque realmente acredita que outro faria melhor em seu lugar. Fica insatisfeito e se intimida diante dos novos desafios.

A palavra de juízo que acompanha a dor da frustração não é um desejo de vingança, mas uma superação do fracasso. “Sacudir o pó” significa não levar nada daquela experiência para frente. “Deixe tudo ali” — Jesus disse — “inclusive a poeira do lugar”. “O problema não é com você ou sua falta de recursos pessoais, mas com uma cidade que simplesmente se recusa ouvir as boas novas da salvação”. Por isso, “haverá menos rigor para Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade”. “Siga adiante, há outros lugares em que você pode chegar e outras pessoas para evangelizar”. Esse é o caminho para a vitória sobre a frustração: deixar o passado para trás e seguir em frente.

Jesus falou da decepção em seu ensino sobre a convivência da igreja: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só. Se te ouvir, ganhaste teu irmão. Se não te ouvir, leva contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. Se não escutar, dize-o à igreja. E, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano” (Mateus 18:15-17).

A decepção é conseqüência da existência de expectativas que jamais são correspondidas pelas pessoas em quem depositamos alguma confiança. Decepciona-se quem toma suas atitudes imaginando ser bem recebido e acatado pelo outro, quando, na verdade, o outro se faz indiferente. Decepciona-se quem espera ser acolhido ou valorizado, quando, na verdade, o outro só enxerga a si mesmo e seus interesses mesquinhos. Decepciona-se quem aposta suas “fichas” no desempenho do outro, quando, na verdade, o outro é só um ser humano comum, frágil e cheio de defeitos.

A palavra de juízo que acompanha a dor da decepção não é um ódio travestido de moralidade, uma espécie de “desisto, você não presta mesmo”. Pelo contrário. “Considera-o como um gentio e publicano” significa “você está esperando dessa pessoa mais do que ela pode oferecer”. Se alguém ama a Cristo, acompanha-o a capacidade de arrepender-se e quebrantar-se, quando conscientizado de seus erros. Mas, se não ama ao Senhor, não pode corresponder às expectativas de correção e desempenho que lhe depositamos sobre os ombros. Considerá-lo um “não cristão” pode ajudar no amadurecimento daquele amor que conduz à oração e ao serviço por aqueles que ainda estão distantes da fé que um dia experimentamos. Compaixão, não mágoa, é o sentimento que nasce dessa descoberta do afastamento que o outro mantém em relação a Deus.

A palavra de Juízo, portanto, pode aliviar aqueles que se frustram ou decepcionam, como qualquer ser humano normal debaixo do céu, a quem Cristo protege e fortalece em seu amor.

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