“Nenhuma corrente é mais forte do que seu elo mais fraco” (Charles Spurgeon)

Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu. Foram quarenta anos à frente de um povo complicado e exigente. Nesse período, não faltaram experiências de sucesso e afirmação da liderança de Moisés, a quem Deus usou poderosamente e através de quem fez muitos milagres. Seu ministério começou com demonstrações de poder e uma vitória acachapante sobre os inimigos. Poucos conseguem tamanho impacto em tão curto espaço de tempo.

Mas Moisés morreu. Antes mesmo de entrar com o povo na Terra Prometida. Sumiu, para falar a verdade, já que Deus ocultou seu cadáver e negou aos israelitas qualquer acesso a sua sepultura. Em outras palavras, num dia o povo tinha Moisés e um grande desafio pela frente; no outro, o desafio continuava e parecia até maior, mas já não havia um Moisés com quem contar. Que condições este povo teria para conquistar sua herança? Estaria fadado ao fracasso? Teria perdido todo o esforço de até então?

Uma das crises da liderança contemporânea é sua falta de compromisso com o futuro. Procura-se impacto. Quem cause impacto. Os números transformaram-se em critério absoluto e definitivo de avaliação do desempenho. Quantos? Em quanto tempo? Os prazos devem ser sempre menores. Os números, sempre maiores. Somos de uma geração em que líderes são comparados a técnicos de futebol. Assumem, na crise, com a obrigação dos resultados positivos. Dificilmente duram mais que alguns meses à frente de um mesmo clube.

O futuro permanece, assim, distante e improvável. O presente surge como constante palco de pressões e cobranças. Os líderes não podem faltar, sob pena de verem sua obra morrer. Por isso, os “melhores” líderes são disputados à força, com propostas cada vez mais tentadoras de maiores ganhos. Estão em falta no mercado. E enquanto celebram fama e conquistas, esquecem do mais importante: a arte de fazer discípulos. Não podem nem morrer em paz.

Moisés fez um discípulo que assumiu em seu lugar e levou o povo a excelentes vitórias. Josué acompanhou Moisés em tudo; não se apartava da Tenda do Encontro enquanto Moisés falava com Deus e Deus com ele. Quando se viu só, à frente de tamanha responsabilidade, falou com Deus e ouviu-O falar, do mesmo modo que presenciara tantas vezes. Por isso, Deus lhe disse: “como fui com Moisés, serei contigo” (Josué 1:5). Seqüência garantida.

Jesus ensinou como ninguém sobre a importância de fazer discípulos. Embora fosse seguido por multidões, gastou tempo com aqueles que deveriam continuar sua Missão. Disse que fariam obras maiores, porque Ele mesmo tinha os dias contados e iria para o Pai. Concedeu-lhes Seu próprio Espírito. Ao final, enviou-os e assegurou-se de que compreenderam o legado que deixava: “Ide, fazei discípulos de todas as nações…” (Mateus 28:19). Não precisamos nem dizer que aqueles discípulos transformaram sua geração e todo o mundo que conheciam.

Josué foi uma bênção para Israel e escreveu seu nome na história da salvação. Não era Moisés, mas foi importante como Moisés na liderança do povo, que conquistou a Terra e guardou, para sempre, a biografia e os ensinos de Moisés. A seqüência que vale jamais apaga o valor e as conquistas da liderança anterior. Reforça-as, pois sabe que o elo entre tantos líderes é o Espírito do Deus que a tudo controla e a todos recompensa, conforme suas obras.

Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu. Cumpriu seu dever e descansou em paz!

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