A aprovação de Deus é mais importante que a admiração dos homens

“O falso profeta é o pastor que agrada todo mundo” (Karl Barth)

Moisés foi líder em Israel por quarenta anos. Enfrentou desgostos e colecionou sucessos. Embora não tenha ficado livre de críticas e oposições, fez mais do que qualquer um, antes ou depois dele, na história do Antigo Testamento. Como ficou registrado, “nunca mais levantou-se profeta como Moisés, com quem Deus falasse face a face e a quem Deus enviasse para fazer tantos sinais e maravilhas” (cfe. Deuteronômio 34:10-11).

A própria expectativa messiânica de Israel foi desenvolvida a partir do perfil de liderança de Moisés. Como ele mesmo declarou: “Deus suscitará no meio de vós um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis” (Deuteronômio 18:15). Sobretudo no período de maior aflição para os judeus, quando se viram subjugados por impérios que se sucediam, a esperança de libertação consistia no anseio pelo aparecimento de um novo Moisés, que protagonizasse um novo êxodo para a comunidade israelita. Pode alguém ser mais famoso, amado e admirado?

Um dos atrativos da liderança é seu poder de fascinação. As pessoas amam e respeitam líderes bem sucedidos. São como heróis, em quem os demais depositam seus sonhos, carências, fantasias e frustrações. Quando falham, são logo desprezados e esquecidos, sem piedade ou compaixão (razão pela qual tantos precisam esconder seus erros ou defeitos). Quando acertam, são ovacionados, celebrados acima dos limites do bom senso, como semi-deuses em visita à humanidade. Não são poucos que adoecem na tentativa de manterem-se vivos nessa ciranda de loucura.

Não foi o que aconteceu com Moisés. Embora tenha entrado para a história como o grande líder que realmente se tornou, deixou acima de qualquer outra marca de sua biografia o exemplo de uma vida aprovada por Deus. Este lhe falou “face a face”. Foi quem também o enviou ao Egito, confirmando-o através de sinais e prodígios. Moisés não seria sombra do líder que foi se não contasse, como contou, com a escolha e a ajuda do Senhor. Não chegaria ao final de sua missão sem as manifestações do poder do Senhor. Sabia disso. Morreu muito mais como homem de Deus que como líder de um povo. Morreu nos braços de Deus e não pôde ser encontrado no meio do povo.

Somente em Jesus a liderança de Moisés foi superada. Como Moisés, liderou os marginalizados, alimentou os famintos, saciou os sedentos e consolou os aflitos. Maior que Moisés, não precisou que as águas se abrissem para deixá-lo passar; andou sobre elas. Mas uma marca do caráter de todo líder que Deus levanta permaneceu intacta: a ênfase na aprovação de Deus. Jesus ausentou-se daqueles que queriam fazê-lo rei, e dizia que foi enviado para fazer unicamente a vontade de seu Pai. Por seu exemplo, Pedro aprendeu a chave de uma vida que faz a diferença: “mais importa obedecer a Deus que aos homens” (Atos 5:29).

Moisés morreu e herdou a eternidade ao lado de Deus como prêmio de sua vocação. Ficou famoso, é verdade, mas já não estava aqui para desfrutar. Nem poderia. Nem quereria. Descobriu que a bênção de viver sob a aprovação de Deus é a segurança de quem poderá apresentar-se diante Dele com o coração pacificado e a alma feliz. Nenhuma aprovação humana influenciará a decisão daquele dia; nenhuma desaprovação humana o fará. Importa que sejamos aprovados por Deus, pois importa que compareçamos, ao final, diante de Deus. Apenas de Deus.

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