“Deus não concede o Espírito por medida” – disse João Batista aos seus próprios discípulos, quando o procuraram, confusos, para relatar que Jesus e seus seguidores também batizavam (João 3:34a). Para ele, ninguém poderia receber algo se do céu não lhe fosse dado. Toda verdadeira autoridade é espiritual. E aquele que Deus realmente enviou tem como característica principal o compromisso de dizer exatamente a Palavra de Deus. João queria que seus discípulos soubessem que sua função era fazer a vontade de Pai e que esta vontade consistia em revelar Jesus Cristo, seu Filho. “Importa que ele cresça e que eu diminua” – dizia (3:30).

Com estas declarações, o Batista reafirmou sua fé na messianidade de Jesus e estabeleceu um importante paradigma para a compreensão do ministério do Espírito: não se trata do quanto cada um possui, mas do quanto se deixa possuir. Não é uma questão de quanto do Espírito Santo cada líder tem, mas de quanto do líder o Espírito tem. Deus não dá o Espírito por medida porque, das duas, uma: somos dele e nos dedicamos ao seu chamado ou não somos e seguimos por nós mesmos. “Aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus” (3:34b).

Aqui compreendemos o que Paulo quis dizer aos efésios quando os aconselhou para que não se embriagassem com vinho, no qual há dissolução, mas se enchessem do Espírito (5:18). Ao invés de entregar o controle da mente e dos movimentos aos efeitos do álcool, que só promove a vergonha e o desequilíbrio, os cristãos deveriam entregar este controle ao Espírito, que nos capacita e usa para a glória de Cristo. Ser cheio do Espírito não significa ter mais de sua presença ou poder (Deus não dá o Espírito por medida), mas confiar mais em sua direção e vontade, entregando o coração em suas mãos.

A ideia de encher-se não pode prescindir, então, da decisão de se esvaziar. Entregar é uma opção por não reter. Não há plenitude espiritual onde o ego e o orgulho ainda ocupam algum espaço. O esvaziar não é um reduzir, mas um negar. Não se pode falar em “meio morto” ou “um pouco morto”. Morremos para nós mesmos e nossas ambições individualistas ou seguimos vivos e afastados do propósito de Deus. “Quem quiser ganhar a sua vida irá perdê-la; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, irá salvá-la (Lucas 17:33).

O desafio do líder, portanto, já não tem qualquer identificação com os apelos da competitividade. A verdadeira autoridade vem de cima. Não é necessário sobressair ao outro ou destacar-se. Se o Espírito fosse dado por medida, uns teriam mais e, outros, menos. Haveria diferença entre eles e os mais fracos estariam perdidos. Mas se é uma questão de entregar-se, o verdadeiro líder se esvaziará completamente, negando-se para ser cheio de Deus. E uma vez cheio, fará a vontade do Pai para a glória do Filho. “Importa que ele cresça…”

Líderes cheios do Espírito já não esperam reconhecimento ou fama. Não estão à procura de poder ou posições. Morreram para si mesmos e suas ambições mesquinhas. Estão cheios de Deus. São vasos de bênção. Assumem a liderança como oportunidade de serviço e amor. Andam guiados pelo Espírito e, por isso, chegam mais longe. Não têm medida!

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