Sempre insisti que não podemos definir um líder a partir de critérios como desempenho ou eficiência. Estes não identificam o líder, apenas o qualificam. Ajudam na avaliação, na definição de categorias como “bom líder” ou “mau líder”. Líderes podem ser maus. Terrivelmente maus. A história conta de vários, cujas lideranças tornaram-se desastrosas para um número absurdamente grande de pessoas.

Bons líderes estão em falta. São aqueles cujas motivações são justas e as realizações, éticas. Trabalham pelo bem comum. Doam-se (nem sempre por inteiro ou sem expectativas de recompensa, mas…) e contribuem para o despertar do que há de melhor nos outros. São disciplinados, corretos e amáveis. Têm defeitos, mas nada que prejudique suas lideranças. Aliás, os defeitos parecem aproximá-los ainda mais dos que os seguem, pois revelam-nos mais humanos e verdadeiros.

A liderança cristã, no entanto, é muito mais que uma boa liderança. É uma renúncia e uma entrega. Não intenciona sucesso ou realização, mas morte do eu, seu aniquilamento. Como aconselhou Spurgeon: “Preparem-se, meus jovens amigos, para se tornarem cada vez mais fracos; preparem-se para mergulhar a níveis cada vez mais baixos de auto-estima; preparem-se para a auto-aniquilação; e orem para que Deus apresse este processo”. Glorificar Jesus Cristo é a missão.

Morrer é a exigência do liderar. O líder cristão não é chamado a liderar como Cristo, imaginando que possa imitá-lo, mas em Cristo, deixando-o viver em seu lugar. É uma liderança no Espírito, em seu poder e direção. Técnicas, recursos pessoais, habilidades individuais e formações de qualquer ordem ganham importância secundária. Ser cheio do Espírito Santo é o que mais interessa. O resto, quando presente (e não há por que desprezar todas estas coisas que um líder pode adquirir ao longo de seu ministério), fica consagrado a Deus, razão maior de todo esforço ou dedicação. E tudo ainda pode ser considerado como refugo, a fim de se ganhar a aprovação do Senhor.

O futuro da liderança cristã dependerá, portanto, de resistência e submissão. Resistência aos apelos de um mundo voltado para as realizações pessoais e egocêntricas. O líder cristão não será maior que João Batista e sua declaração de fé: “importa que Ele cresça e que eu diminua”. Submissão aos princípios e valores da Palavra de Deus e à vida no Espírito. O líder cristão não dirá menos que o Apóstolo Paulo em seu lema existencial: “Vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”. É uma questão de fé.

Pode ser que um líder verdadeiramente cristão não seja considerado bom líder aos olhos da sociedade, com seus critérios distorcidos de avaliação. É possível que seja criticado, desprezado ou até perseguido. É bem provável que sinta-se deslocado e sem lugar no mundo muitas vezes. Mas saberá, sempre, em quem tem crido, e que é poderoso para guardar seu tesouro até o dia final. E jamais será mau líder. Não, nunca um mau líder. Quem viver, verá!

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