PATERNIDADE: MISSÃO PARA HOMENS

Fausto Carvalho

Num mundo tão cheio de mudanças como o nosso, com a alteração de muitos padrões socioculturais, a paternidade ficou de certa forma ameaçada. Desde a revolução sexual dos anos 60, com a questão da liberalidade sexual e o uso de contraceptivos, a formação da família e a importância da figura paterna foram bastante ignoradas, com a destruição de ambos os papéis.

Recentemente, conversando com meu filho mais velho, que está com 15 anos, ele me relatou que mais de 80% de seus colegas de escola não pensam em casar, muito menos em ter filhos. Conquanto sejam ainda adolescentes, que habitualmente não refletem muito sobre o futuro, isso aponta uma mudança bastante importante.

O advento do feminismo levou a uma condenação marcante da figura masculina, pois para este movimento a sociedade patriarcal, machista, opressora deve ser extinta. Devemos reconhecer que o modelo vigente até então nas sociedades ocidentais e que ainda perdura em muitas no Oriente realmente tentam calar a voz das mulheres, menosprezam e não valorizam a figura feminina com a beleza, o respeito e a intensidade devidos. E temos que reconhecer também que na maioria das vezes o chamado patriarcado tinha mais itens humanos, como a desigualdade entre homens e mulheres, que os da Palavra de Deus.

Entretanto, quando voltamos à Palavra de Deus, temos uma certeza: Família é um projeto de Deus e foi projetada com papéis muito claros e evidentes. Nós, homens, fomos instituídos por Deus para liderarmos espiritualmente nossas casas e lares.

Boa parte dos problemas sociais que enfrentamos hoje em dia está relacionada à ausência de pai ou a uma paternidade mal resolvida. Cerca de ¾ dos adolescentes em internação compulsória judicial são frutos de famílias sem pais presentes ou com pais ausentes por conta de abuso de álcool, drogas ou prisão. Alguns estudos apontam que meninas criadas em lares sem pais tem uma maior chance de terem gravidezes na adolescência, repetindo um ciclo que tende a levar a miséria. A maior causa de mortes em adolescentes na nossa pátria é por violência.

Mesmo no meio evangélico, notamos que muitos acreditam que ao levarem seus filhos a um culto ou escola dominical, uma ou duas vezes na semana, já fazem o suficiente para um bom desenvolvimento emocional e espiritual de seus filhos. Isso é importante, mas apenas um pequeno começo.

Posto isto, o que podemos fazer? Como fazer a diferença em nossa família e sociedade?

  • Devemos entender que os filhos são bênçãos dadas por Deus.

Filhos não são cargas, não são pesos, não são maldições. Filho é instrumento de Deus para entendermos um pouco o privilégio da criação e como Deus quer que nos desenvolvamos. Criar um filho é uma jornada rica de percalços, mas extraordinariamente gratificante quando bem conduzida.

  • Devemos entender que filhos precisam ser ensinados.

Deus foi muito claro com o povo de Israel. Em Deuteronômio 6, Ele nos ensina que devemos trabalhar na instrução de nossos filhos em todo o tempo (ao acordar, ao deitar, ao sair e ao entrar, etc). Precisamos usar as coisas naturais como Jesus fazia e ensinar as coisas espirituais para nossos filhos.

  • Devemos assumir a responsabilidade de sermos pais.

Não devemos ser pais frouxos, do tipo “deixa a vida me levar”. Quando Deus chamou Abraão para sacrificar seu filho Isaque, em Genesis 22, ele se levantou antes de todos para fazer os preparativos. No mundo corporativo isso se chama Proatividade. Precisamos ser pais proativos, que trabalhem a construção do caráter de nossos filhos, transferindo responsabilidades conforme forem crescendo.

  • Devemos entender que o resultado final tem nossa participação.

Deus nos ensina através do profeta Ezequiel que os filhos não são castigados pelos pecados dos pais. Também sabemos que há filhos que, mesmo tendo uma boa criação, num ambiente harmônico, preferem ter uma vida bastante afastada dos princípios de seus pais. Mas precisamos fazer nossa parte para não termos o mesmo desprazer que sofreu Davi ao saber que seu filho Absalão tinha sido assassinado. O amargor de Davi era intenso porque sabia o quanto havia falhado na criação de seu filho, tão belo e inteligente, e tão parecido com ele mesmo.

Que nós todos sejamos Pais com propósitos, Homens que assumem suas responsabilidades diante de Deus, ensinando seus filhos com a Palavra lida, revelada e principalmente vivida em cada lar. Que o Senhor nos ajude. Amém.

 

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Fausto Carvalho é Médico Pediatra, Mestre em Educação, palestrante e escritor, autor do livro “Pai sem Sacrifício”. Natural de Assis/SP, reside em Itaí/SP, é casado com a Juliana e pai do Rafael e do Vinícius.

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