NÃO SE TORNE UM ASSASSINO

Fernando Lucas

Desde os primórdios, o ódio esteve presente na história da humanidade. A primeira geração, os primeiros seres humanos que nasceram fora do Paraíso vivenciaram o quão intensa, prejudicial e bélica pode ser a manifestação do ódio através da natureza humana: Caim matou seu irmão Abel.

O apóstolo João, conhecido como o discípulo do amor, escreve a esse respeito em uma das suas cartas: “Quem odeia seu irmão é assassino” (I Jo 3.15). O Evangelho nos revela essa relação íntima existente entre o ódio e o desejo de destruição TOTAL do objeto odiado. Tornamo-nos semelhantes a Caim ou a qualquer outro assassino quando odiamos, pois os sentimentos e emoções dominantes e presentes em ambos são exatamente os mesmos.

Existe, inclusive, uma lógica, um roteiro, um sistema que é adotado por aqueles que se entregam ao ódio. O livro de Provérbios nos adverte sobre isso quando diz: “Meu filho, se os maus tentarem seduzi-lo, não ceda” (Pv 1.10). A proposta do ódio é atraente, pois visa garantir a eliminação daquilo que odiamos e que nos incomoda. Ele se reveste com esta roupagem sedutora de benevolência, complacência, assume causas nobres ou, até mesmo, diz estar agindo em nome de Deus. No entanto, não passa de ódio.

O mesmo livro de Provérbios, descreve os pensamentos dos maus: “Venha conosco; fiquemos de tocaia para matar alguém, vamos divertir-nos armando emboscada contra quem de nada suspeita. Vamos engoli-los vivos, como a sepultura engole os mortos; vamos destruí-los inteiros, como são destruídos os que descem à cova” (Pv 1.11-12). O ódio, presumindo a ingenuidade e vulnerabilidade de sua vítima, tem como certo o sucesso de seus planos.

O discurso de ódio ganhou voz, visibilidade, força e representatividade em todos os contextos, inclusive, foi potencializado através das redes sociais. Existe um prazer mórbido em prejudicar o outro. Existe uma realização e satisfação em destruir aqueles a quem odiamos.

O ódio encontra seus adeptos, seus prosélitos, fiéis ou partidários, pois sempre existirão aqueles que estarão dispostos a “correr para fazer o mal” e “sempre prontos para derramar sangue”. O ódio é compartilhado, multiplicado, porque nos assemelhamos em nossa maldade. Assim, esse discurso não precisa ser fundamentado em fatos, evidências ou baseado na verdade. Basta apenas que ele seja construído e tenha como alicerce o próprio ódio.

Existe uma advertência para aqueles que têm se entregado ao ódio como estilo de vida: “Assim como é inútil estender a rede se as aves o observam, também esses homens não percebem que fazem tocaia contra a própria vida; armam emboscadas contra eles mesmos! Tal é o caminho de todos os gananciosos; quem assim procede a si mesmo se destrói” (Pv 1.17-19). Jesus reforçou este ensinamento quando instruiu a Pedro, no Getsêmani: “Coloque a espada de volta no seu lugar, pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão” (Mt 26.52). Jesus pronunciou estas palavras logo após curar a orelha do servo do sumo sacerdote, que havia sido ferida pelo mesmo Pedro.

Não se torne um assassino, promovendo o ódio e a maldade, seja através dos seus relacionamentos, posicionamentos ou nas redes sociais. Sabemos que é difícil, pois temos convivido de perto com o ódio e, muitas vezes, somos atingidos por ele. Mas não se esqueça desta verdade: o ciclo do ódio é interrompido e encerrado quando nos entregamos ao amor. O próprio Cristo nos ensina esta verdade!

 

Fernando Lucas é pastor, palestrante e está a frente da reunião de Homens com Propósitos de Passo Fundo.

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