Orar é falar com Deus.

Não é tão simples como parece. Implica conhecimento de Deus. Pois, como falar quando ignora-se o caráter de quem ouve?

Jesus ensinou-nos a chamar Deus de Pai. Pai nosso que está nos céus. Sua transcendência não é distância. Sua majestade não é indiferença. Ele está nos céus e, ao mesmo tempo, é nosso. Acessível assim. Perto assim.

O conhecimento da paternidade de Deus elimina a burocracia da oração. Se for burocrática, não é oração. Também as formalidades e as repetições são dispensáveis, uma vez que a intimidade tem preferência pela liberdade de expressão. Filhos seguros dirigem-se a um pai amoroso com confiança e sem rodeios. Sabem que são bem-vindos.

A exigência da oração é verdade e transparência. Falar com Deus é expor a alma diante daquele que sonda corações. Não há como mentir. Não há como esconder. Falsidade e dissimulações transformam o que se pretendia oração numa espécie de pensamento em voz alta. O fariseu da parábola orava de si para si mesmo. Portanto, não orava.

Isso significa que o tempo da oração é qualitativo e não quantitativo. A advertência contra as vãs repetições sugere que não importa a duração da súplica, mas a condição em que se diz o Amém. Não oramos até que tudo seja dito ou repetido, mas até que sejamos capazes de levantar em fé e consagração. O publicano da parábola precisou de uma única frase. Saiu justificado.

Oração não é informação, como se comunicasse a Deus algo que desconhece. É rendição, experiência pela qual a vida é revista e as circunstâncias, assumidas corajosamente. Por isso ajoelhamos. Por isso levantamos as mãos. Quanto tempo é preciso? O tempo necessário para que o suplicante entregue-se totalmente e consiga descansar no amor e no cuidado de Deus. Pode ser o tempo de uma frase. Pode ser uma noite inteira.

Jesus orou como ninguém mais. Orou rápida e também longamente. No Getsêmani, orou como nunca. Confrontou discípulos que não puderam acompanhá-lo nem por uma hora. Insistiu que sua vontade era não precisar beber do cálice da paixão. Mas submeteu-se à vontade do Pai. Deixou-se vencer. Levantou-se somente quando estava pronto: eis que vinha o traidor…

Pedro aprendeu a orar e também deixou-se vencer em seus preconceitos e arrogância, ante a visão do lençol que descia do céu. A igreja iniciante aprendeu a orar e também rendeu-se à vontade de Deus, mesmo enfrentando perseguições e prisões. Paulo, Davi, Moisés, Jacó… As grandes experiências de oração têm em comum a vitória de Deus sobre os próprios intercessores.

Os discípulos pediram a Jesus: ensina-nos a orar. Entre outras coisas, Jesus lembrou-lhes: Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus! As palavras que ensinou jamais foram repetidas, nem mesmo pelo próprio Senhor. Mas sua essência esteve presente em cada oração registrada nas Escrituras. E permanece até hoje, em cada oração que vale.

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