Liderança é palavra da moda. Desperta curiosidade e vende livros. Distingue mediocridade e excelência, oferecendo-se como garantia desta para quem quer fugir daquela. Líderes são apresentados como pessoas bem-sucedidas, seguras de si mesmas e satisfeitas com suas realizações. Homens e mulheres do futuro, prontos para quaisquer desafios que apareçam pelo caminho. Será?

Há os que não se vêem como líderes e nem sequer almejam qualquer posição de liderança. Não quer dizer que sejam bons liderados; muitas vezes, são orgulhosos e mesquinhos demais para aceitar autoridade. Acredito que somente os verdadeiros líderes sabem reconhecer as lideranças que têm sobre si mesmos. Em geral, a recusa da liderança não é uma opção pelo “ser liderado”, mas uma decisão por não se comprometer. Uma fuga. E não são poucos os exemplos de pessoas que demonstram certa aversão ao desafio de liderar.

Um dos problemas pode ser certa incompreensão sobre o que seja liderança. Será que sabemos o que é um líder?

  1. O líder desponta como referência de sentido para um ou mais liderados. É a existência de liderados, antes de mais nada, que faz o líder. Não importam os reais motivos (se projeção, carência, admiração ou propósito). Importa que assumam a figura do líder com aquela expectativa de preenchimento, descoberta, cuidado e proteção. Podem estar equivocados e, ao final, experimentar a frustração. Mas terão constituído o líder e tornado-se liderados.
  2. O líder toma consciência da influência que exerce sobre o(s) liderado(s). Assume, ainda que informalmente, a postura de um líder. Torna-se diretivo e propositivo. Deixa fluir de seu interior as características de liderança que já estavam lá e contribuíram para que fosse assim reconhecido. Encontra, na simples existência dos liderados, certa realização pessoal. Compreende-se a partir da relação com eles.
  3. O líder assimila o impacto de sua responsabilidade para com o(s) liderado(s) como uma angústia. Não passa impune pela experiência de liderar. Ainda que não elabore racionalmente seus sentimentos mais íntimos, sofre-os realmente. Sabe o que é não dormir à noite ou o que é ter dores no estômago. No fundo, compreende os limites de seus recursos pessoais, bem como a infinidade das demandas a que tem que responder.

Assim, o líder pode ser bom ou mau. Tanto um como outro são possíveis. O bom líder influencia positivamente o liderado, capacitando-o para o desempenho autônomo e eficaz de suas tarefas. Responsabiliza-o pelo bem estar comum. O mau líder, por outro lado, influencia negativamente o liderado, gerando nele relações de dependência e medo. Aliena-o a respeito da importância de seu papel social.

Tudo isso para dizer o seguinte: todo cristão é um líder e deve sê-lo, quer deseje tal responsabilidade, quer não. Por ser cristão, e simplesmente por isso, desponta como referência de sentido para um mundo sem rumo e sem esperança. Tem consciência de sua influência, pois conhece as implicações de seu chamamento. Assimila o impacto de sua responsabilidade e sabe que prestará contas a Deus de sua missão. Sua escolha, uma de duas: ser um bom ou um mau líder. Influenciar positiva ou negativamente as pessoas. Conduzi-las à fé e ao serviço a Deus ou a si mesmo e suas paixões egoístas. Chamá-las à liberdade dos filhos de Deus ou à dependência ignorante e apavorada. Não há terceira alternativa. Não há mais para onde fugir.

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